A Editora Paz e Terra há 36 anos no mercado editorial brasileiro, tem cumprido durante esses anos importante papel na vida cultural do País, publicando títulos das mais destacadas correntes do pensamento contemporâneo. Nascida na resitência democrática, no início do período que se revelaria dos mais negros da nossa história política, a editora conquistou progressivamente a adesão de muitos de nossos mais brolhantes intelectuais, com os quais sempre compartilhou a defesa da liberdade de pensamento e do direito ao diálogo.
A Paz e Terra surge em 1965, dundade por Ênio Silveira, então diretor da Civilização Brasileira. Juntamente com Moacir Félix é inspirado pela encíclica papal Pacem in Terris, Ênio cria a nova editora para divulgar idéias ecumênicas progressistas, o que acabaria por lançar no Brasil o ideário da Teologia da Libertação.
Já na década de 70, a Paz e Terra enfrenta séria crise resultante, em grande parte dos embates, com a repressão. Nessa mesma época um grupo de intelectuais liderados por Fernando Gasparian editava o semanário Opinião, que já sentia necessidade de estrutura para a publicação de obras de maior fôlego, associa-se então à editora, que passa a contar entre seus acionistas com nomes como Alceu Amoroso Lima, BArbosa Lima Sobrinho, Berta Ribeiro, Celso Furtado, Dias Gomes, Érico Veríssimo, Fernando Gasparian Fernando Henrique Cardosom José Aparecido de Oliveira e Wilson FAdul.
É também nessa época, que a editora lança a revista Argumento. Criada para debater sobre temas que variavam entre política, economia, esportes e artes a revista teve sua circulação suspensa no quarto número devido às pressões da censura. O diretor-responsável Barbosa Lima Sobrinho, o conselho consultivo e a comissão de redação decidiram por interromper a tiragem da revista a ter a sua linha editorial falseada pela ditadura militar. O conselho consultivo era formado por: Florestan Fernandes, Helio Jaguaribe, Paulo Duarte, Octavio Paz, Sérgio Buarque de Holanda, Simão MAthias, Aníbal Pinto, Torcuato di Tella, Alain Torraine, Albert Hirschmann, Brian Van Arkadie, Duddley Seers, além de Érico Veríssimo e Alceu Amoroso Lima que também faziam parte do jornal Opinião. Já a comissão de redação era formada por Anatol Rosnfeld, Antonio Candido de Melo e Souza, Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Corrêa Weffort, Luciano MArtins e Paulo Emílio Salles Gomes. Intelectuais e políticos que acabaram se projetando por suas importantes atuações no cenário nacional.
A partir daí, a Paz e Terra adota um alinha editorial mais abragente, amantendo porém seu ideal humanista. Publica obras de autores que figuravam no índex da ditadura militar. Entre eles, o grande educador brasileiro Paulo Freire, cujos livros editados no exterior tinham sua importação proibida no Brasil. Hoje seu catálogo conta com mais de dois mil títulos em diversas áreas, com destaque para ciências humanas - com diversos autores que constituem nomes fundamentais para o debate intelectual entre nós - ficção latino-americana, teatro e literatura infantil.
|